Na sala de espera de um posto de saúde em Campos Novos, zona rural de Cunha, uma mudança silenciosa começou a acontecer: celulares deram lugar a livros nas mãos das crianças. O que antes era um tempo de ansiedade e telas passou a ser ocupado por histórias, imagens e descobertas.

A iniciativa surgiu a partir do olhar atento da médica Cláudia Toledo, que buscava alternativas para reduzir o uso de celulares durante as consultas. Com a chegada de 55 livros doados pelo Educativo Flip, o espaço se transformou rapidamente.

“Como as crianças ficavam esperando e eu acabava chamando a atenção por causa do celular, pensamos em uma alternativa: os livros. Agora, sem telas, elas aderiram super bem. Já teve até mãe falando para não mexer, e eu disse: ‘é para mexer sim!’. Inclusive, dois livros foram levados, o que eu vejo de forma positiva, porque mostra o interesse”, conta ela.

É sabido, por diversos estudos, o quanto o uso excessivo de telas pode ser prejudicial para as crianças — afetando a concentração, a visão e a atenção. Então já era uma questão que preocupava Cláudia. “Desde que os livros chegaram, nenhuma criança entra no consultório com celular. Em pouco tempo, o resultado já foi muito positivo. Estamos falando de uma região rural, em Campos Novos, em Cunha, e a aceitação foi muito boa”, completa.

A cena em Cunha é apenas uma entre muitas que vêm se formando a partir da circulação de livros promovida pelo Educativo Flip. Em Paraty, a pedagoga e mediadora de leitura Wilza Maria Rocha Nunes, conhecida como Dedé Nunes, recebeu 40 exemplares que passam a integrar seu trabalho com crianças, jovens e famílias. Atuando junto ao Sesc Paraty, no projeto Clubinho de Leitores, e em parceria com bibliotecas comunitárias da Rede Mar de Leitores, Dedé utiliza os livros em ações de mediação que atravessam diferentes espaços — de encontros coletivos a leituras em família — ampliando o acesso à literatura.

Outras entregas recentes também reforçam esse movimento: 50 livros foram destinados à Associação de Moradores do Parque da Mangueira, para a escolinha de futebol da comunidade, e 73 exemplares à Coordenadoria Especial da Mulher da Prefeitura de Paraty, fortalecendo espaços de convivência, escuta e formação.

Ação permanente do Educativo Flip

Mais do que doações pontuais, essas ações fazem parte de um trabalho contínuo de circulação de livros que conecta crianças, jovens, educadores, autores, editoras e instituições em torno da leitura. Muitos dos exemplares têm origem nas contribuições de parceiros da própria Festa Literária Internacional de Paraty, criando um ciclo em que os livros seguem vivos e em movimento.

Em 2025, essa mobilização resultou na distribuição de cerca de 2.525 livros em escolas, bibliotecas e organizações de Paraty e região. Entre as entregas, estão acervos destinados a comunidades como Ponta Negra e Graúna, escolas da rede pública e equipamentos como a Biblioteca Pública Municipal Fabio Villaboim e o CEMBRA – Colégio Estadual Engenheiro Mario Moura Brasil doAmaral.

A cada nova entrega, os livros deixam de ser apenas objetos e passam a ocupar espaços, tempos e relações — seja na sombra de uma árvore durante a Flip, nos encontros de mediação ou, como em Campos Novos, transformando até mesmo uma sala de espera em território de imaginação.

O Educativo Flip atua em rede para fortalecer o pertencimento e o pensamento crítico por meio da leitura literária.

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