O Clube do Livro FlipZona, iniciativa do Programa Educativo da Festa Literária Internacional de Paraty, vem reunindo adolescentes e jovens de Paraty em encontros que combinam leitura, conversa e troca de ideias. 

Realizado ao longo do ano, o projeto coloca a juventude no centro da mediação literária: são os próprios participantes que conduzem os debates, levantam perguntas e compartilham interpretações sobre as obras escolhidas.

Duas edições do Clube já aconteceram, ambas no Cinema da Praça, marcadas por participação ativa e conversas animadas.

Primeiro encontro: diálogo direto com o autor

Nem a forte chuva desanimou os jovens que participaram do primeiro encontro do Clube do Livro FlipZona, realizado em novembro. O grupo se reuniu para discutir Espresso Fantasma, romance do escritor e booktoker Tiago Valente, que esteve presente e conversou de perto com os jovens leitores.

A roda foi mediada pela paratiense Sophia Santos, 20 anos, que conduziu o debate com segurança, leveza e muita preparação — ela leu o livro duas vezes e levou trechos marcados para impulsionar a conversa.

A Editora Record apoiou o encontro com a doação de exemplares do livro, entregues aos jovens participantes e mediadores. O formato, inédito na FlipZona, valoriza o protagonismo juvenil: são eles que perguntam, comentam, interpretam e provocam o autor.

“Foi um dia supergostoso e interessante, e a mediação da Sophia foi muito consistente. Aproveitamento de 100%”, brinca o flipzoneiro Paulo Êutico, participante do clube e responsável pelos registros em foto e vídeo da atividade.

Sophia abriu a conversa com uma charada presente no início do livro, criando um clima lúdico que uniu quem já tinha lido a obra e quem ainda estava começando. O debate avançou por temas sensíveis, escolhas narrativas e detalhes que surpreenderam até o próprio autor.

Segundo Paulo, poucas experiências oferecem aos leitores a oportunidade de dialogar diretamente com quem escreveu a história. “É um movimento de ganha-ganha. A gente tem a chance de perguntar ao próprio autor, debater, expor nossas opiniões e conhecer outras; e pro autor também é especial. A gente percebia o olho do Tiago brilhar ao ouvir todo mundo falando sobre o livro dele”, contou.

O encontro também rendeu um momento inusitado: Sophia narrou o final da história ao próprio escritor. “O Tiago falou que nunca tinha escutado ninguém contar o final do seu livro para ele. E eu consegui! Foi incrível!”, relembra a mediadora.

Segundo encontro: Clarice Lispector no livro e no cinema

A segunda edição do Clube do Livro FlipZona aconteceu em março e trouxe um novo formato de encontro: a combinação entre literatura e cinema.

O Cinema da Praça recebeu um público que praticamente lotou a sala para a exibição do filme A Hora da Estrela, dirigido por Suzana Amaral e baseado na obra de Clarice Lispector. A sessão apresentou uma cópia restaurada em 4K, disponibilizada pela Sessão Vitrine Petrobras.

Após a exibição, parte do público permaneceu para o bate-papo mediado pelos jovens do clube. A conversa trouxe diferentes leituras sobre a personagem Macabéa e abriu espaço para reflexões sobre literatura, adaptação e construção de personagens.

“​​Eu achei muito interessante essa mistura de diferentes tipos de arte e diferentes percepções sobre a história, no livro e no cinema, e eu percebi que as pessoas que estavam com a gente na conversa também acharam legal ter essas possibilidades. Eu nunca imaginei que fosse render tanto assunto, mas saímos de lá com muitas reflexões pra continuar pensando e conversando depois”, Miranda (Naná), mediadora.

O flipzoneiro Paulo Êutico acompanhou também este segundo encontro e destaca que o bate-papo após a sessão ampliou ainda mais as leituras possíveis da obra. “Uma coisa que a gente discutiu bastante foi a diferença entre o livro e o filme, principalmente nas emoções da Macabéa. Isso até dividiu opiniões: alguns acharam que ela parecia mais feliz no livro e mais indiferente no filme; outros perceberam o contrário. Foi muito interessante ver como cada pessoa entendeu a história de um jeito.”

A mediadora Sophia Santos também destacou o interesse do público em acompanhar a sessão e a conversa. “O cinema estava cheio, e as pessoas gostaram muito de ter a oportunidade de assistir ao filme da Macabéa. No bate-papo ficou um grupo menor, mas muito interessado na roda de conversa”, relatou.

Segundo ela, a discussão começou justamente com uma pergunta sobre as diferenças entre a personagem no livro e no filme, o que estimulou o público a compartilhar suas percepções. “Cada mediadora também tinha uma visão diferente sobre a obra, e isso ajudou a movimentar a conversa.”

A apresentação do encontro ficou a cargo da produtora cultural Brisa de Souza, que destacou o envolvimento do público que permaneceu até o final da atividade. “As mediadoras estavam muito preparadas, tinham lido o livro, assistido ao filme e trouxeram ótimas referências para a conversa. As pessoas estavam bem atentas e interessadas”, disse.

A edição do livro de Clarice Lispector trabalhada pelo grupo foi publicada pela Editora Rocco, que apoiou o encontro com exemplares destinados aos participantes.

Entre quem já conhecia a história e quem estava tendo o primeiro contato com a obra, a troca foi marcada por curiosidade, escuta e descobertas — reforçando o papel do Clube do Livro FlipZona como espaço de formação leitora e de protagonismo juvenil.

Com encontros periódicos ao longo do ano, o projeto segue ampliando as oportunidades para que jovens leitores de Paraty compartilhem experiências literárias, construam repertórios e participem ativamente da programação educativa da Flip.

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