Orides Fontela, Autora Homenageada da 24ª Flip

Fritz Nagib/Divulgação Hedra

A Flip tem a alegria de anunciar a poeta Orides Fontela (1940-1998) como autora homenageada da sua 24ª edição. Natural de São João da Boa Vista, no estado de São Paulo, é dona de uma obra conhecida por seu rigor formal com a língua e pela atualização que faz do Modernismo, fazendo com que ela seja uma das pioneiras nas vertentes contemporâneas da poesia brasileira.

Fontela é autora dos livros Transposição (1969), Helianto (1973), Rosácea (1986), além de Alba, vencedor do Prêmio Jabuti em 1983, e Teia, que lhe rendeu prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte em 1996. Alguns de seus textos apresentam uma ligação com temas da natureza, principalmente os pássaros e as flores.

Descoberta por Davi Arrigucci Jr., professor de teoria literária da USP, que leu seu poema “Elegia” no jornal sanjoanense O Município, no ano de 1965, teve a carreira impulsionada por entusiastas como o crítico literário Antonio Candido e pela filósofa Marilena Chaui. Morta em 1998, dois anos após o lançamento de Teia, a autora homenageada da 24ª Flip teve sua obra compilada em três ocasiões, com Trevo (1988, Livraria e Editora Duas Cidades), Poesia reunida (2006, Cosac Naify) e Poesia completa (2015, Hedra) – este último volume contém 22 poemas inéditos, publicados postumamente. Em 2007, foi laureada postumamente com a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, na categoria Grã-Cruz, do Ministério da Cultura.

“Dona de uma poesia concisa e despojada de ornamentos, e afeita aos poemas curtos, Orides Fontela recebeu atenção extraordinária da crítica literária, que via nela uma renovadora do Modernismo, e mesmo de poetas consagrados, como Drummond. É uma referência incontornável no cenário da poesia contemporânea brasileira”, afirma Rita Palmeira, curadora literária da 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty.

A vida no interior, as leituras de filosofia e as lições do zen-budismo, cujas práticas começou a frequentar em 1972, também ajudaram a moldar a poesia de Orides Fontela. “Para enfrentarmos os desafios da contemporaneidade, temos que entender que cultura e natureza são a mesma coisa, e que nós, humanos, fazemos parte dela. É interessante observar que essa dimensão, que é tão clara hoje, já estava sugerida na obra de Orides Fontela. Este também é o sentido de homenageá-la nesta Flip”, diz Mauro Munhoz, diretor artístico da Festa Literária.

A Editora Hedra, que detém os direitos das obras de Orides Fontela, planeja o relançamento de seus livros entre março e abril deste ano. “O atual panorama da poesia brasileira vem se incrementando, com a multiplicação de publicações, casas editoriais e eventos ligados a este gênero. Esse momento conta com uma presença feminina importante. Publicada por uma editora de pequeno porte, Orides também ganhou livros em sua homenagem por casas editoriais similares. Resgatar Orides é, de alguma forma, valorizar o trabalho realizado por essas editoras”, continua Rita Palmeira.

A Flip homenageia pelo segundo ano consecutivo autores que se destacam por sua produção poética. Na 23ª edição, realizada em 2025, o poeta curitibano Paulo Leminski teve vida e obra destacadas na Festa Literária Internacional de Paraty. Outros nomes da poesia que já foram homenageados pela Flip incluem Vinícius de Moraes, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Ana Cristina Cesar, Hilda Hilst, Elizabeth Bishop e Paulo Leminski.

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