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acessibilidade

24ª Flip

22/07 a 26/07

sobre o artístico

A Flip – Festa Literária Internacional de Paraty é, sobretudo, uma forma de experimentar a cidade. Os cinco dias de Festa, com as tradicionais mesas literárias, são a manifestação mais evidente de um trabalho contínuo de enraizamento no território. Além da Programação Principal e das atividades da Flip+, das Casas Parceiras e da Praça Aberta, o núcleo artístico promove, ao longo dos outros 360 dias do ano, uma série de outras iniciativas, como debates, oficinas e vivências com a comunidade. 

Precursora das festas literárias no Brasil, a Flip já inspirou mais de 340 iniciativas análogas pelo país. Permanece única, porém, por atuar no campo expandido da literatura, integrando diferentes linguagens e formas de expressão: cidade, arquitetura, design gráfico, cenografia, arte, cinema e música compõem a linguagem Flip em todas as suas edições. A singularidade da Festa também vem da relação que estabelece com sua cidade-sede: muito mais do que pano de fundo ou paisagem, Paraty foi e permanece um importante e decisivo personagem dessa história, que chega a sua 24ª edição em 2026.

Paraty é reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, tanto por seu conjunto arquitetônico colonial notavelmente preservado quanto pela riqueza cultural que abriga, marcada pela presença de comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas. Não por acaso, é nesse território, abraçado pela Mata Atlântica, que acontece a Flip: poucos lugares acolhem tão bem os encontros entre pessoas e o gesto de parar para ler, ouvir e pensar.

Na cidade de Paraty, a Flip realiza um urbanismo raro, que não sai pronto de uma prancheta, nem responde a uma utopia rígida. Ele se faz em teste, ano após ano, com diálogo e presença constantes, a partir da escuta de quem vive a cidade. Ao converter o espaço funcional em espaço vivido, desvela-se uma nova cidade, modificada pela movimentação de pessoas e ideias. A Praça da Matriz se expande, os limites se deslocam, e o efêmero torna-se uma experiência compartilhada e perene nas memórias.

E assim a Festa se torna permanente: porque afeta, porque muda a maneira como a cidade é usada e sentida. Porque mostra, a cada ano, que o espaço público pode ser outro, mais vibrante, criativo e plural. E essa possibilidade, mesmo temporária, muda tudo.