Apresentação

As contribuições que compõem este livro são bem diferentes entre si. Há artigos, ensaios, uma reportagem, relatos, um poema e ensaios fotográficos. O tom por vezes é formal, em outras o contrário. Existem os mais acadêmicos e os mais objetivos. Há também textos essenciais de representantes dos povos originários, um vento forte por entre a mata da leitura, com seu ponto de vista não ocidental, não cartesiano.

 

Mas existe muita coisa em comum entre esses trabalhos. A chamada virada verde perpassa todos eles, com todas suas imensas tonalidades, assim como o profundo interesse pela sabedoria indígena e quilombola, e o espírito coletivo, descentralizado. De uma maneira ou de outra, cada um dos colaboradores deste livro busca na floresta soluções para o ruidoso mal-estar de nossa civilização.

 

E encontra. Seja na literatura indígena, como bem mostra Julie Dorrico, do povo Macuxi, seja na mitologia dos Tukanos, como nos conta João Paulo Lima Barreto, com dicção mágica, ou na ficção de Clarice Lispector, uma das autoras que tratam do universo verde, na análise revigorante de Evando Nascimento.

 

Ana Martins Marques habita o livro com um instigante poema inédito, uma lembrança de como o conhecimento surge literalmente da mata. Hermano Vianna, com sua inteligência multifacetada, une a antropofagia poética com a nova filosofia verde, e Pedro Meira Monteiro resume com elegância as descobertas sobre a consciência das plantas nos últimos anos. Mateus Campos vai ao quilombo do Campinho de Paraty e revela a comunhão entre um grupo de jongo e um de rap, palavras cruzadas de longa tradição e modernidade.

 

Paraty e suas membranas de troca também povoam o ensaio de Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip, que volta ao passado para propor um futuro possível, inspirado no conceito de cidade aberta e na colaboração coletiva e descentralizada da floresta.

 

Por fim, dois ensaios fotográficos sobre figuras da maior importância para o movimento da virada verde. Anna Dantes conversou com o líder indígena, cineasta e contador de histórias Carlos Papá, e revelou um momento de epifania ao seu lado. A fotógrafa Gabriela Portilho, por sua vez, conheceu a agrofloresta de  Zé Ferreira, em Paraty, e saiu de lá com imagens de uma beleza arrebatadora e escritos do próprio agricultor.

 

Diversas e iguais: folhas iluminadas deste objeto que já foi floresta.

 

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