mesa 12

Vasco Pimentel e Jocy de Oliveira falam sobre a banalização da música

O tema central da mesa “Som e Fúria”, a primeira deste sábado (28.07), foi a perda de relevância da música nos dias atuais. A conversa aconteceu entre a compositora Jocy de Oliveira, pioneira na criação multimídia que relaciona música a outras artes, e o sound designer Vasco Pimentel – o “gajo do som”, em sua na autodefinição. A mediação foi feita pela jornalista Paula Scarpin.


“A sociedade atual não dá mais valor à escuta”, disse Jocy que, assim como Vasco, vem de uma família musical – os dois são filhos e netos de músicos profissionais. Para o português, que arrancou risadas da plateia, “o que mais há no mundo inteiro é som, quase todo nojentamente ruim”.


As críticas à banalização da música ocuparam boa parte da mesa. “Somos massacrados pela mídia com música de consumo. Acho que no Brasil a mídia não se importa com música, que precisa ser criada, elaborada, ter um requinte”, criticou Jocy.


Já Vasco, que costuma dizer que “o mundo é mal remixado porque, inicialmente, não foi nem mixado”, reconheceu que não se pode fugir dos sons, um fato que atormenta sua sensibilidade auditiva. “Tapar os ouvidos é mal-educado, ao passo em que virar o rosto para não ver algo feio não é”, disse, ao que completou: “O mundo é um lugar injusto”, provocando mais risos.


Em contraponto a este cenário desanimador, Jocy defendeu que “deve ser dada ao ouvinte a possibilidade de ouvir”. Na sequência, comentou sobre um projeto que realiza no Rio de Janeiro, no qual toca peças de compositores como John Cage e Igor Stravinsky para crianças de idade em torno de 4 e 5 anos. “As crianças ainda estão abertas para experiências de escuta”, elogiou Pimentel. Para ele, a principal ideia dos trabalhos que realizam é “levar o ouvinte para outros mundos através da música”.


A mesa teve ainda exibição de trecho do mais recente trabalho de Jocy, a ópera cinemática Liquid Voices. Filmada nas ruínas do Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, a obra combina “roteiro de ópera com cinema, já que tem cortes como os de um filme”, explicou a compositora, que também fez a direção. Em cena, dois cantores de ópera, atuando ao redor de um piano prestes a afundar no mar cenográfico, versam sobre refugiados judeus levados à Palestina a partir da Europa a bordo do navio Struma, em 1941.

share
Logo da Casa Azul