autora convidada

Leia três poemas de Maria Teresa Horta

Poemas eróticos (Oficina Raquel), que será publicado em julho por ocasião da Flip 2018, revisita a obra da portuguesa Maria Teresa Horta desde seu primeiro livro de poemas. A poetisa – como prefere ser chamada – iniciou sua trajetória na década de 1960 e se tornou figura emblemática na luta contra a repressão do salazarismo no começo dos anos 1970. Em 1971, Minha senhora de mim, lançado originalmente pela editora Dom Quixote, chegou a ser apreendido pela PIDE/DGS, polícia política da ditadura. A transgressão é, portanto, uma marca definitiva em seus textos.


Na Flip, Maria Teresa Horta participa por vídeo da mesa 3, Barco com asas, com Laura Erber e Júlia de Carvalho Hansen.


Leia três poemas:

 

SEGREDO

 

Não contes do meu

vestido

que tiro pela cabeça

 

Nem que corro os

cortinados

para uma sombra mais espessa

 

Deixa que feche o anel

em redor do teu pescoço

 

Com as minhas longas

pernas

e a sombra do teu poço

 

Não contes do meu

novelo

nem da roca de fiar

 

Nem o que faço

com eles

a fim de te ouvir gritar

 

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

 

Põe devagar os dedos

devagar…

 

e sobe devagar

até ao cimo

 

o suco lento que sentes

escorregar

é o suor das grutas

o seu vinho

 

Contorna o poço

aí tens de parar

descer, talvez

tomar outro caminho…

 

Mas põe os dedos e sobe

devagar…

 

Não tenhas medo

daquilo que te ensino

 

GOZO III

 

Põe meu amor

teu preceito

 

teu pénis

meu pão tão cedo

de vestir e de enfeitar

espasmos tomados por dentro

 

a guarnecer o deitar

de tudo que sou gemendo

 

Meu amor

por me habitares

em jeito de teu

invento

 

ou com raiva de gritares

quando te monto

e me fendo

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