autora convidada

Em vídeo gravado, Maria Teresa Horta participa na Flip 2018

Entre os nomes mais transgressores da poesia em língua portuguesa está o de Maria Teresa Horta, sétima presença confirmada na Flip 2018,que acontece de 25 a 29 de julho, em Paraty. Poetisa – expressão que prefere utilizar –, ficcionista e jornalista, a autora iniciou sua trajetória no início da década de 1960 e se tornou figura emblemática na luta contra a repressão da ditadura portuguesa no começo dos anos 1970.


Na Flip, onde participará em vídeo, Maria Teresa Horta vai falar sobre obras marcantes na história da poesia de língua portuguesa, como Novas cartas portuguesas,que assinou em conjunto com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, e sobre sua produção recente, como Anunciações, o romance em versos no qual imagina o caso de amor entre Maria e o Anjo Gabriel.


“Apesar de não terem tido proximidade,Maria Teresa Horta e Hilda Hilst são da mesma geração, assistiram a episódios políticos e culturais de seu tempo – como a luta feminista e as ditaduras – e responderam a eles cada uma a sua maneira”, afirma Joselia Aguiar, curadora da Flip 2018. “Nessa sessão da Flip, em um formato muito especial que anunciaremos em breve, além de homenagear Maria Teresa Horta iremos marcar o laço entre poetas do Brasil e de Portugal.”


Maria Teresa Horta participará em vídeo da Festa Literária porque, por recomendação médica, está impedida de andar de avião e não há uma embarcação marítima que ofereça conforto e segurança à autora no período da Flip.


A autora

Nascida em Lisboa em 1937, Maria Teresa Horta marcou as gerações de 1960 e 1970 com sua escrita que traçou uma cartografia do corpo feminino, não mais tolhido e objetificado.

 

Em 1971, três anos antes da Revolução dos Cravos, lançou o emblemático Novas cartas portuguesas (Estúdios Cor), em parceria com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. Marco feminista de Portugal, o livro surgiu em reação à censura de Minha senhora de mim, do mesmo ano, e questiona a repressão, a discriminação e as relações de poder da época. Acabou por também ser apreendido pelo governo.

 

Obras

Por ocasião da Flip 2018, a Oficina Raquel lançará, em julho, a Antologia de poesia erótica, organizada por Luis Maffei. Este é o segundo livro de Maria Teresa que a editora edita no Brasil. Azul-Cobalto, que reúne 12 contos sobre questões femininas, foi publicado em 2014.


Antologia de poesia erótica (Oficina Raquel, 2018) revisita sua obra desde seu primeiro livro de poemas. Lançado em 1960, Espelho inicial (Dom Quixote) já dava sinais das raízes eróticas da autora, ainda encobertas, que culminaram de vez em Verão coincidente (Guimarães, 1962).

 

A ousadia permaneceu testando os limites da linguagem e desafiando as figuras de autoridade. Minha senhora de mim (Dom Quixote, 1971),chegou a ser apreendida pela PIDE/DGS, polícia política da ditadura, logo após sua publicação.

 

O título mais recente, Anunciações (Dom Quixote, 2016), foi o quarto colocado no Oceanos de 2017, classificação repudiada pela autora, que optou por recusar o prêmio.


No Brasil, a autora tem publicadas,ainda, as obras Cem poemas [antologia pessoal] + 22 inéditos (7letras) e Palavras secretas (Escrituras), ambos de 2007, e Poemas do Brasil (Brasiliense, 2009).

 

Em 2012, a autora recusou-se a receber o prêmio literário D. Dinis, instituído pela Fundação da Casa de Mateus, pelas mãos do então primeiro-ministro português, Passos Coelho.

 

Flip 2018

A 16ª Flip, que acontece de 25 a 29 de julho, tem curadoria de Joselia Aguiar e Hilda Hilst como Autora Homenageada. Estão confirmados os nomes de Fernanda Montenegro e Jocy de Oliveira para a sessão de abertura e de André Aciman, Leila Slimani,Isabela Figueiredo e Alain Mabanckou.

 

Quem faz a Flip

A Flip tem o patrocínio do Ministério da Cultura por meio de leis de incentivo. A edição 2018 está em fase de captação.

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