programa principal

Com Hilda Hilst, Flip 2018 reforça caráter artístico

Hilda Hilst (1930-2004) encontrava poucos leitores enquanto viva. Uma década e meia após sua partida,seus leitores estão em cada vez maior número, e a marca da contemporaneidade da Autora Homenageada se refletirá no palco da Flip 2018. Em sua 16ª edição, a Festa Literária mantém o Programa Principal ao redor da Praça da Matriz. Novidade desta edição, o Auditório da Matriz contará com 500 lugares e um desenho que remete aos teatros de arena. O Auditório da Praça, como no ano passado, terá 700 lugares e exibirá as mesas ao vivo pelo telão.


O programa deste ano, que mantém a mesma pluralidade de 2017, reforça o caráter artístico, com novos formatos de mesa e um elenco de autores e autoras que atuam em campos diversos, expandindo a literatura além fronteiras. “Depois de um programa que, em 2017, festejou um autor cujo projeto literário dialogou diretamente com questões sociais e políticas de seu tempo – Lima Barreto –, este ano as mesas literárias estão estruturadas em torno de temas como o amor, o sexo, a morte, Deus, a finitude e a transcendência – todos presentes na obra de Hilda Hilst – , configurando, assim, uma Flip que será mais íntima”, afirma a curadora do Programa Principal, Joselia Aguiar.


A Flip 2018 reúne 33 autores e autoras em seu programa principal –17 mulheres e 16 homens. Os convocados são poetas, romancistas, contistas, ensaístas, historiadores; também atrizes, cineasta, editores, compositores, fotógrafo, performers, slamer, sound designer. Multiculturais, muitos vivem em países diferentes de onde nasceram, tendo passado por outros tantos territórios no decorrer de suas trajetórias.


“Com um programa plural, tentei fazer ano passado um recorte do mundo de Lima Barreto. Com o mesmo programa plural, tento desta vez fazer um recorte do mundo de Hilda Hilst”, diz Joselia Aguiar, que fez a curadoria da edição de 2017 e de 2018.


Veteranos e estreantes

Além de Fernanda Montenegro e Jocy de Oliveira, presentes na abertura, outros veteranos recebem homenagens em mesas solo, como a grande mestra russa Liudmila Petruchevskaia, ou em mesas em dupla com estreantes, com diálogos que ultrapassam limites de geração: o mestre do conto Sérgio Sant’Anna e um leitor seu, o estreante Gustavo Pacheco; a portuguesa Maria Teresa Horta, um dos grandes nomes da literatura portuguesa no último meio século, e as poetas brasileiras Júlia de Carvalho Hansen e Laura Erber; o americano vencedor do Pulitzer Colson Whitehead e Geovani Martins, que também acaba de lançar o primeiro livro; Franklin Carvalho, já premiado romancista com seu livro de estreia, e a historiadora Thereza Maia, dedicada ao registro da história oral de Paraty.


Internacionais

Como aconteceu na Flip 2017, também serão apresentados este ano importantes nomes internacionais que ainda não tinham sido editados no país ou, tendo sido editados, ainda são pouco conhecidos, mesmo que já sejam estrelas no exterior. É o caso da franco-marroquina Leila Slimani, do poeta suíço Fabio Pusterla, da romancista italiana de origem somali Igiaba Scego, do franco-congolês Alain Mabanckou e da argentina Selva Almada, apontada como um dos nomes promissores da literatura latino-americana.


Considerado o maior especialista do mundo em manuscritos medievais, o britânico Christopher de Hamel vai tratar de religião, magia, luxúria e leitura na época medieval, apresentando o Evangelho de Santo Agostinho, o Livro de Kells e Carmina Burana. Também historiador britânico, Simon Sebag Montefiore falará de suas biografias best-sellers de Stálin, dos Romanov e de Catarina, a Grande.

 

Homenagem a Hilda Hilst

Na quarta-feira, dia 25, duas artistas geniais da mesma geração de Hilda Hilst se juntam para celebrar a arte mais transgressora na Sessão de Abertura. A música de Jocy de Oliveira, pioneira de vanguarda hoje dedicada à ópera multimídia, vai criar a atmosfera para as leituras da obra da Autora Homenageada feitas por uma das maiores atrizes do país, Fernanda Montenegro.


“Performance sonora”,a primeira mesa da quinta- feira, 26, abre os trabalhos com a voz, a escuta e as divagações literárias e existenciais de Hilda Hilst, registradas em fitas magnéticas na década de 1970. Essas serão apresentadas pela cineasta Gabriela Greeb, que dirigiu o filme Hilda Hilst pede contato, e o sound designer português Vasco Pimentel.


Na noite de sexta-feira, 27, a obra de Hilda Hilst em poesia e prosa será comentada tanto em sua dimensão corpórea quanto mística na mesa “A santa e a serpente”, sob comando de Eliane Robert Moraes, ensaísta que atua na fronteira entre a literatura e a filosofia, enquanto serão feitas leituras pela atriz Iara Jamra,que encarnou a personagem mais famosa da escritora – Lori Lamby.


Três performances com temas de Hilda Hilst fazem parte do programa: na quinta, 26, “Da partida”, com Bell Puã; na sexta, 27, “Do desejo”, com Ricardo Domeneck; no sábado, 28,“Cantares do sem-nome”, com Reuben da Rocha.


Outras mesas estão diretamente relacionadas a Hilda Hilst, ainda que sua vida e obra não sejam o assunto principal desses encontros. Em “Barco com asas”, na quinta, 26, a tradição lírica portuguesa é o fio condutor da conversa entre a portuguesa Maria Teresa Horta –participação em vídeo – e as brasileiras Júlia de Carvalho Hansen e Laura Erber.


“Poeta na torre de capim”, na sexta, 27, trata da falta de leitores e do silêncio da crítica, como reclamava Hilda Hilst: para esse debate, encontram-se Ligia Fonseca Ferreira, a grande especialista no poeta negro Luiz Gama, e Ricardo Domeneck, um poeta e editor atento a nomes ainda fora do cânone, como Hilda Machado, que morreu inédita em livro.


No sábado, 28, a mesa“Obscena, de tão lúcida” reúne a romancista portuguesa nascida em Moçambique Isabela Figueiredo, que tratou de temas como o racismo e a gordofobia, e Juliano Garcia Pessanha, narrador de gênero híbrido e filosófico, para discutir a escrita de si, os diários e as memórias, o corpo e o desnudamento.


“O escritor e seus múltiplos” é a sessão de encerramento, no domingo, 29. A atriz Iara Jamra, o fotógrafo e curador Eder Chiodetto e o compositor Zeca Baleiro – que fizeram obras baseadas em Hilda Hilst – relembram os encontros com a autora, o processo de criação e as marcas que a experiência deixou em suas trajetórias.


Os vídeos-pílulas do Arte 1 realizados para a Flip vão apresentar um sem-número de leitores de campos diversos que mantêm a atualidade de Hilda Hilst – gente dedicada a estudá-la hoje, a escrever sua biografia, a traduzi-la no exterior  e a incluí-la em saraus do país.


Temas candentes

O racismo, o feminismo, a violência contra a mulher, a discriminação por identidade sexual, a imigração e a herança do colonialismo, a atual cena política e social do Brasil e do exterior: questões que estão na ordem do dia vão emergir nos debates de todo o programa.


Como destaques, a mesa “Amada vida”, na quinta, 26, vai reunir Selva Almada, uma ficcionista argentina que escreveu sobre histórias reais de feminicídio, e Djamila Ribeiro, feminista negra à frente de uma coleção de livros, num diálogo sobre como fazer da literatura um modo de resistir à violência.


A mesa “Poeta na torre de capim” na sexta, 27, trata de fatores como a discriminação por cor, gênero e identidade sexual no sistema literário. Para esse debate, encontram-se Ligia Fonseca Ferreira, grande especialista no poeta negro Luiz Gama, e Ricardo Domeneck, um poeta e editor atento a nomes ainda fora do cânone, como Hilda Machado, que morreu inédita em livro.


Na mesa “Interdito”, que ocorre no sábado, 28, o exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabu ou proibidos – a exemplo do homoerotismo, da sexualidade feminina e da religião – são as questões tratadas por dois romancistas, André Aciman, egípcio de origem judaica, e Leila Slimani, marroquina de origem árabe.


Colson Whitehead, americano vencedor do Pulitzer com um romance histórico sobre escravizados que construíram sua rota de fuga, vai compartilhar o palco com Geovani Martins,estreante que, da favela do Vidigal, inventa com liberdade seu jeito de narrar e usar as palavras. Esta é a mesa “Atravessar o sol”, no sábado, 28.


Novos formatos de mesas

Além das conversas entre autores e um mediador, teremos também a conversa entre um autor e dois entrevistadores, como nos casos de Alain Mabanckou e Simon Sebag Montefiore. Será um modo de explorar diferentes aspectos da obra dos autores.


Áudio e vídeo serão recursos mais explorados: haverá uma mesa com gravações em áudio – “Performance sonora” – e uma mesa com um entrevistado em vídeo gravado –“Barcos com asas”. Na tela, os trabalhos de autores também serão apresentados –“Encontros com livros notáveis”, “Som e fúria”, “O escritor e seus múltiplos”.


Sessões de performance acontecem como no ano passado, e uma das mesas contará com a presença de uma atriz para leituras – “A santa e a serpente”.


Flip Mais

Em parceria com a editora Sesi, uma exposição vai homenagear a editora baiana Corrupio, sob o comando de Arlete Soares e Rina Angulo, pioneiras na publicação da obra do etnofotógrafo francês radicado na Bahia Pierre Verger (1902-1996). Iniciativa editorial realizada por editoras mulheres há quatro décadas na Bahia, que colocou em circulação obras seminais no estudo da cultura afro-brasileira, das trocas culturais entre Brasil e África, das religiões afro-brasileiras e do racismo.


Quem faz a Flip

A programação da Flip é realizada por meio da lei de incentivo à cultura do Ministério da Cultura do Governo Federal e conta com patrocínio oficial do Itaú, co-patrocínio do BNDES e da EDP e apoio da Três Corações, por meio da Leide Incentivo da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. A edição 2018 está em fase final de captação.


GRADE

Quarta-feira, 25 de julho


20h | Mesa 1 | Sessão de abertura: Hilda, Fernanda e Jocy


Fernanda Montenegro


Jocy de Oliveira


Três artistas geniais da mesma geração celebram a arte mais transgressora: Hilda Hilst, homenageada da Flip 2018, Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes brasileiras, e Jocy de Oliveira, pioneira na música de vanguarda hoje dedicada à ópera multimídia.

 

Quinta-feira, 26 de julho


10h | Mesa 2 | Performance sonora


Gabriela Greeb


Vasco Pimentel


A voz, a escuta e as divagações literárias e existenciais de Hilda Hilst registradas em fitas magnéticas na década de 1970 são apresentadas pela cineasta Gabriela Greeb e o sound designer português Vasco Pimentel.

 

12h | Mesa 3 | Barco com asas


Júlia de Carvalho Hansen


Laura Erber


Maria Teresa Horta (em vídeo)


Esse diálogo inusitado reúne, por vídeo, um grande nome da poesia de Portugal do último meio século e, em Paraty, duas poetas brasileiras influenciadas pela lírica portuguesa que têm pontos em comum com Hilda Hilst.


15h30 | Mesa 4 | Encontro com livros notáveis


Christopher de Hamel


A religião, a magia, a luxúria e a leitura na época medieval se apresentam nas páginas do Evangelho de Santo Agostinho, do Livro de Kells e de Carmina Burana, comentadas pelo maior especialista do mundo nesses manuscritos.


17h30 | Mesa 5 | Amada vida


Da perda | performancede Bell Puã, slammer pernambucana, a partir de tema de Hilda Hilst.


Djamila Ribeiro


Selva Almada


Uma ficcionista argentina que escreveu sobre histórias reais de feminicídio e uma feminista negra à frente de uma coleção de livros conversam sobre como fazer da literatura um modo de resistir à violência.


20h | Mesa 6 | Animal agonizante


Sergio Sant’Anna


Gustavo Pacheco


Um grande mestre da literatura brasileira que abordou o desejo, a solidão e a morte relembra sua trajetória ao lado de um leitor seu e autor estreante elogiado pela crítica portuguesa com histórias de humanos e outros primatas.


Sexta-feira, 27 de julho


10h | Mesa 7 | Poeta na torre de capim


Ligia Fonseca Ferreira


Ricardo Domeneck


A falta de leitores e o silêncio da crítica, como reclamava Hilda Hilst: para esse debate, encontram-se a grande especialista no poeta negro Luiz Gama e um poeta e editor atento a nomes ainda fora do cânone, como Hilda Machado, que morreu inédita em livro.


12h | Mesa 8Minha casa


Fabio Pusterla


Igiaba Scego


Fazer literatura tendo uma língua comum – o italiano – e diferentes aportes, fronteiras e paisagens geográficas e literárias: nesse diálogo, reúnem-se o poeta de um país poliglota, que é tradutor do português, e uma romancista filha de imigrantes da Somália, que escreveu sobre Caetano Veloso.


15h30 | Mesa 9 | Memórias de porco-espinho


Alain Mabanckou


O absurdo e o riso, Beckett,culturas africanas, escrita criativa e crítica da razão negra: a trajetória e o pensamento de um poeta e romancista franco-congolês premiado se revelam nessa conversa com dois entrevistadores.


17h30 | Mesa 10 | Interdito


Do desejo | performance do escritor e artista visual paulista Ricardo Domeneck a partir detema de Hilda Hilst.


André Aciman


Leila Slimani

 

O exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabu ou proibidos – a exemplo do homoerotismo, da sexualidade feminina e da religião —são as questões tratadas nesse diálogo entre dois romancistas, um judeu americano de origem egípcia e uma francesa de origem marroquina.


20h | Mesa 11 | A santa e a serpente


Eliane Robert Moraes


Iara Jamra


A obra de Hilda Hilst em poesia e prosa é vista tanto em sua dimensão corpórea quanto mística por uma ensaísta que atua na fronteira entre a literatura e a filosofia, enquanto são feitas leituras por uma atriz que encarnou a sua personagem mais famosa – Lori Lamby.


Sábado, 28 de julho 


10h | Mesa 12 | Som e fúria


Jocy de Oliveira


Vasco Pimentel


A escuta e a criação de universos sonoros: para esse diálogo, encontram-se uma das pioneiras da música de vanguarda no país, hoje dedicada à ópera multimídia, e um sound designer português – os dois conhecidos pelo rigor e pelo preciosismo.


12h | Mesa 13 | O poder na alcova


Simon Sebag Montefiore


Historiador britânico best-seller que publicou biografias de Stálin, dos Romanov e, agora, de Catarina, a Grande, conta, nessa conversa com dois entrevistadores, como faz para retratar figuras centrais da política em seus pormenores mais íntimos.


15h30 | Mesa 14 | Obscena, de tão lúcida


Isabela Figueiredo


Juliano Garcia Pessanha


Uma romancista portuguesa nascida em Moçambique que tratou de temas como o racismo e a gordofobia se encontra com um narrador de gênero híbrido e filosófico para discutir a escrita de si, os diários e as memórias, o corpo e o desnudamento.


17h30 | Mesa 15 | Atravessar o sol


Cantares do sem nome | performance do poeta e artista visual maranhense Reuben da Rocha a partir de tema de Hilda Hilst.


Colson Whitehead


Geovani Martins


O americano vencedor do Pulitzer com um romance histórico sobre escravizados que construíram sua rota de fuga se encontra com um estreante que, da favela do Vidigal, inventa com liberdade seu jeito de narrar e usar as palavras.


20h | Mesa 16 | No pomar do incomum


Liudmila Petruchevskáia


Um dos grandes nomes da literatura russa moderna, comparada a Gogol e Poe por seus contos de horror e fantasia que não dispensam o teor político, relembra sua trajetória proibida por décadas no regime stalinista, hoje aclamada de Moscou a Nova Iorque.


Domingo, 29 de julho


10h | Mesa Zé Kleber | De malassombros


Franklin Carvalho


Thereza Maia


Um narrador do sertão baiano que abordou a mitologia da morte em seu premiado romance de estreia se encontra com uma folclorista que recolheu histórias orais de Paraty, em um diálogo sobre o território e seus encantados. Mesa gratuita.


12h | Mesa 17 | Sessão de encerramento | O escritor e seus múltiplos


Eder Chiodetto


Iara Jamra


Zeca Baleiro


Uma atriz, um compositor e um fotógrafo que fizeram obras baseadas em Hilda Hilst relembram os encontros com a autora, o processo de criação e as marcas que a experiência deixou em suas trajetórias.


15h30 | Mesa 18 | Livro de Cabeceira


Autores da Flip 2018 leem trechos de seus livros preferidos, em uma sessão conduzida por Liz Calder.

 

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