mesa 19

Autores convidados da Flip 2018 leem trechos de seus livros preferidos

A clássica mesa que encerra a Festa Literária Internacional de Paraty - Flip, “Livro de cabeceira”, começou com uma surpresa. Em vídeo cedido por Gabriela Greeb – diretora de Hilda Hilst pede contato, que teve estreia mundial na última quinta-feira em Paraty –, a Autora Homenageada da edição canta a canção You’ll never know, de Nat King Cole.


Liz Calder entrou no palco na sequência e trouxe consigo sete autores convidados da Festa Literária: Alain Mabanckou, Isabela Figueiredo, Leila Slimani, Selva Almada, Simon Sebag Montefiore, Geovani Martins e Djamila Ribeiro. Os escritores foram convidados a ler trechos de livros que eles levariam para uma ilha deserta.


Alain Mabanckou escolheu o romance L’Enfant noir, do guineense Camara Laye. “Esse livro se tornou um clássico da literatura africana”, disse o escritor. “Foi minha escolha porque acredito que apresenta com muita clareza o que pode ser considerada a cultura africana: o lugar do pai, da mãe, do trabalho. Tudo isso a partir do ponto de vista de um jovem.”


A portuguesa Isabela Figueiredo, depois de agradecer a “extraordinária recepção dos brasileiros”, homenageou Adília Lopes, sua conterrânea. “O que me agrada nessa autora é o fato de que não sabemos o que ela é, ela não cabe em uma gavetinha. Eu gosto dessa mistura.” Com entusiasmo, leu alguns dos poemas que dialogam com a sua própria obra.


Já Leila Slimani iniciou sua fala admitindo que, mesmo com saudade de seus filhos, adoraria ficar mais alguns dias em Paraty. A franco-marroquina escolheu ler um trecho do conto “O medo”, de Anton Tchekhov, autor russo por quem Slimani confessou ter certeza de que teria se apaixonado, se tivesse a chance de conhecê-lo. “Infelizmente nós não nos encontramos por questões de tempo e espaço.”


Selva Almada decidiu ler um fragmento do livro Enero, da também argentina Sara Gallardo. Publicado há meio século, o romance – que trata de uma mulher abusada sexualmente – é, nas palavras de Almada, “muito pertinente nesses tempos em que a Argentina está quase conquistando a legalização do aborto”.


O inglês Simon Sebag Montefiore contou que vai voltar para casa levando algumas garrafas de cachaça. E, como Slimani, escolheu um conto de Anton Tchekhov. Especialista em história da Rússia, Montefiore disse que “A dama do cachorrinho” talvez seja o melhor conto jamais escrito.


A escolha de Geovani Martins foi um poema de Carlos Drummond de Andrade, “Muito grande”, do livro Sentimento do mundo. O carioca contou ter uma relação com o texto desde a adolescência e disse que os versos de Drummond tornaram-se uma espécie de mantra para ele: “Sempre que estou me sentindo esquisito, esse poema me leva para outro lugar. E, por mais que eu esteja feliz de estar aqui na Flip, o momento que vivemos hoje está bem esquisito”.


A última autora a ler seu trecho foi Djamila Ribeiro, que afirmou que não conseguiria escolher apenas um livro para levar a uma ilha deserta. "Certamente teria de levar uma infinidade deles: os livros que dialogam com a minha realidade de ser uma forasteira de dentro.” Ela optou por Eu sei porque o pássaro canta na gaiola, de Maya Angelou. A autora convidada da Flip assina o prefácio da edição brasileira da autobiografia da escritora estadunidense.


Por fim, a mediadora Liz Calder agradeceu a todos os que fizeram a Flip se tornar possível: à curadora Joselia Aguiar, que recebeu aplausos da plateia, à equipe da Flip, aos intérpretes e, é claro, aos moradores de Paraty.

share
Logo da Casa Azul