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Vida e obra de Lima Barreto trazem à tona questões do presente

A 15ª Flip começou pulsante, propondo novas relações entre tempo, espaço e cidade. Inaugurando o Auditório da Matriz, a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz e o ator Lázaro Ramos, com direção de cena de Felipe Hirsch, reuniram-se na noite de quarta-feira em torno do Autor Homenageado, Lima Barreto.

 

Com ampla documentação e fotos de época, Lilia repassou os principais acontecimentos da vida do escritor, explorando dualidades e ressaltando o lugar que o presente pode conferir à sua obra. "Quem sabe estejamos presenciando agora, nesta nossa geração animada pelos direitos civis, uma nova retomada de Lima Barreto […].  Um intérprete do contra mas que foi, à sua maneira, sempre a nosso favor.”

 

Lázaro, falando em primeira pessoa, surpreendeu e emocionou o público ao interpretar Lima em textos do homenageado sobre o Brasil, o funcionalismo público e o meio literário do país na Primeira República. Intercaladas, as duas falas atravessaram a biografia do autor, passando por suas principais obras, seus problemas com o álcool e pelas controvérsias que suscitou junto ao grupo dos modernistas de São Paulo.


O diretor geral da Flip, Mauro Munhoz, abriu a Festa Literária com um discurso que lembrou a primeira edição, em 2003, realizada no Centro Histórico de Paraty. No ano em que a Flip acontece no entorno da Praça da Matriz, Mauro destacou a importância de novas formas de ocupação em períodos de crise e transformação. “Que venham novas ideias, relações e construções para todos nós". 


A curadora Joselia Aguiar destacou a relação da obra de Lima com o presente e pontuou que a diversidade de ideias e gêneros foi a base conceitual de sua curadoria para esta edição. “Uma nova história literária e um novo país podem ser repensados a partir de Lima Barreto", sintetizou. 


A noite se encerrou no Auditório da Praça ao som da "Suíte Policarpo", de André Mehmari, criada especialmente para a Flip 2017. 

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