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O poder da fabulação e da experiência nos livros para crianças

A infância? Território da invenção. Os livros? Território da invenção. Rememorando histórias vividas em Santos, Fortaleza e Brasília, as autoras Ana Miranda e Maria Valéria Rezende contaram no Auditório da Praça como se aproximaram do universo da escrita, falaram de sua infância e sobre o fato de hoje escreverem também para o público infanto-juvenil.


Ana Miranda relembrou a “editora” que criou quando ainda pequena, com ajuda da irmã, a musicista Marlui Miranda. À noite, dividindo o quarto, “ela contava histórias do que tinha acontecido e eu só contava mentiras”, disse, sugerindo que a arte de fabular vem com ela desde a tenra idade. “Nascemos como deuses, com todas as possibilidades dentro da nossa mente, do nosso corpo. [...] Eu e minha irmã nascemos duas artistinhas”.


Nos anos 1950, contou Maria Valéria, ela escapava para lados obscuros de Santos – os arredores da rua do Café e seus prostíbulos –  para vasculhar os sebos com livros que os marinheiros estrangeiros traziam. “Uma vez comprei um livro em chinês, mesmo sabendo que nunca poderia lê-lo”. Costuradas em fala fluida, as lembranças do avô, da tia e dos desenhos que fez de todos os instrumentos de uma orquestra em papel higiênico, deixaram transparecer que, como disse a autora, “o tempo da memória não tem nada a ver com o tempo do relógio, do calendário".


O público se deleitou especialmente quando uma e outra leram trechos de seus livros infantis. "Escrever para crianças é uma responsabilidade imensa", frisou Ana, enquanto Maria Valéria recitou alguns de seus haicais: "Dormi na varanda, serenou, e acordei de banho tomado".

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