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Jamais o fogo nunca

Em "Jamais o fogo nunca", Diamela Eltit discute o corpo e a política

Em uma lista dos 25 melhores romances em espanhol dos últimos 25 anos, elaborada pelo jornal El País, somente duas autoras mulheres aparecem. Uma delas é Diamela Eltit, com o livro Jamais o fogo nunca (Relicário), seu primeiro romance traduzido para o público brasileiro, que está em pré-venda, e chega às principais livrarias do país no final de julho, por ocasião da Flip.


Diamela é dona de um projeto literário único – como proposta teórica, estética, social e política. A sua trajetória, iniciada na década de 1970, no Chile sob pesada ditadura, destacou-se pelo caráter experimental, combinando invenção de linguagem e novas reflexões sobre arte, literatura e política. No âmbito da contracultura e da resistência, foi pioneira e recebeu prêmios ao abordar questões de gênero numa perspectiva feminista, o autoritarismo e a violência do estado, a marginalidade urbana e a transgressão, a dor coletiva.


Iniciou sua trajetória com arte performática e vídeo-arte integrando o CADA - Colectivo Acciones de Arte, entre 1979 e 1985, grupo que, como ela mesma diz, pretendeu “modificar os signos e códigos, abrir novas redes de significação e sofisticar as operações conceituais”. Participavam do CADA artistas e poetas como Raúl Zurita, Lotty Rosenfeld, Juan Castillo e Fernando Balcells. Na década de 1980, começou a publicar ficção e ensaios. Outras obras suas de destaque são Por la pátria (1986), El cuarto mundo (1988), El padre mío (1989), Vaca sagrada (1991), Los vigilantes (1994) e Los trabajadores de la muerte (1998). Quando a revista colombiana Semana escolheu os cem grandes títulos dos últimos 25 anos, em 2007, três eram seus: Lumpérica (1983), El cuarto mundoLos vigilantes.


Em Jamais o fogo nunca, a voz, em primeira pessoa, de uma sobrevivente da luta contra o regime militar, conduz uma narrativa que flutua entre dois fogos – duas paixões – nascidos sob o signo da frustração: um relacionamento amoroso e as utopias revolucionárias que pautavam aquela resistência política.


A partir de uma máxima ambiguidade, o romance se abre a diversas possibilidades,nas quais oscila e se dissolve a fronteira entre a vida e a morte, entre o corporal e o social. 


A noção de célula funciona, no romance, como chave política, mas, também, como unidade básica do corpo, ambas as arestas ali presentes para produzir a explosão e a confusão entre corpo e política.


Em Paraty, na mesa A Contrapelo – sexta-feira (29), 19h15, no Auditório da Matriz – autora irá discutir, ao lado do cineasta e documentarista Carlos Nader, linguagens na fronteira e resistência artística.

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