notícias

Autora

Diamela Eltit é confirmada na Flip

Numa lista de 25 grandes livros em espanhol dos últimos 25 anos divulgada recentemente pelo suplemento cultural Babelia, do El País, encontra-se Jamas el fuego nunca (2007), de Diamela Eltit. Pela primeira vez no Brasil, a chilena é uma das duas autoras mulheres lembradas por escritores, críticos e livreiros. Fazem parte da lista obras de nomes como Adolfo Bioy Casares, Enrique Vila-Matas, Javier Cercas, Juan José Saer, Mario Vargas Llosa e Roberto Bolaño. Na Flip 2017, que acontece entre 26 e 30 de julho em Paraty, Eltit falará sobre literatura latino-americana, as relações entre arte e política, feminismo e contracultura e sua trajetória como autora e ensaísta entre a América Latina e Estados Unidos.


A autora

Eltit é dona de um projeto literário único –como proposta teórica, estética, social e política. A sua trajetória, iniciada na década de 1970, no Chile sob pesada ditadura, destacou-se pelo caráter experimental, combinando invenção de linguagem e novas reflexões sobre arte, literatura e política. No âmbito da contracultura e da resistência, foi pioneira e recebeu prêmios ao abordar questões de gênero numa perspectiva feminista, o autoritarismo e a violência doestado, a marginalidade urbana e a transgressão, a dor coletiva.

Iniciou sua trajetória com arte performática e vídeo-arte integrando o CADA - Colectivo Acciones de Arte, entre 1979 e 1985, grupo que, comoela mesma diz, pretendeu “modificar os signos e códigos, abrir novas redes de significação e sofisticar as operações conceituais”. Participavam do CADA artistas e poetas como Raúl Zurita, Lotty Rosenfeld, Juan Castillo e Fernando Balcells. Na década de 1980, começou a publicar ficção e ensaios. Outras obras suas de destaque são Por la pátria(1986), El cuarto mundo (1988), El padre mío (1989), Vaca sagrada (1991), Los vigilantes (1994) Los trabajadores dela muerte (1998). Quando a revista colombiana Semana escolheu os cem grandes títulos dos últimos 25 anos, em 2007,três eram seus: Lumpérica (1983), El cuarto mundo (1988) e Los vigilantes.


Uma de suas obras fundamentais, Jamas el fuego nunca terá edição pela Relicário, editora independente de Belo Horizonte, com tradução de Julián Fuks.  A e-galaxia publicará  "A máquina Pinochet e outros ensaios”, coletânea de textos críticos da escritora, traduzidos por Pedro Meira Monteiro, organizados e prefaciados por Meira Monteiro e por seu colega em Princeton, Javier Guerrero.


Com sua postura anti-canônica e disposta a discutir os consensos,interessa-se pelas zonas de fronteira artísticas e literárias. Entre suas influências, inclui desde o barroco a Foucault, de Joyce a Rulfo. Acredita na estética com sentido político. A noção de corpo, a corporalidade atravessada por sistemas de controle e poder, é muito presente em sua obra, tanto narrativa quanto ensaística: “Entendo o corpo como ficção, a mudar de século em século,especialmente o corpo das mulheres que é escrito, descrito e imposto pelo estado e o mercado, especialmente por normativas ditadas pelas indústrias médicas e químicas”. Quando perguntada sobre a escrita de mulheres, diz: “busco romper com o binarismo assimétrico entre escrita de homens e mulheres porque como todo território binário possui hierarquias”. Sobre a literatura: “tem sido o único espaço total de liberdade que me tem acompanhado em toda a vida”.

 

Diamela Eltit vive entre o Chile e os EUA, onde leciona em departamentos de literatura hispano-americana.

 

“A Flip vai contribuir para apresentar aos leitores brasileiros uma escritora de projeto artístico e literário muito original”, afirma acuradora Joselia Aguiar. “Sua obra como ficcionista e ensaísta interessa muito ao debate brasileiro de agora, particularmente nas questões de identidade de gênero, marginalidade urbana e das zonas de fronteira artística e sociais.”

 

Para o diretor-geral da Flip, Mauro Munhoz, “a vinda de Diamela à Flip e a publicação de sua obra inédita no Brasil reforçam o compromisso da Flip em trazer ao leitor brasileiro novas realidades politicas, sociais,artísticas e literárias de distintos territórios.”

 

 

Flip 2017

A 15ª edição da Flip, com curadoria de Joselia Aguiar, homenageia o autor de “Recordações do escrivão Isaías Caminha” e Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto, e

 

Patronos 2017

O Programa de Patronos é um plano de mecenato voltado a pessoas físicas que apoiam a realização da Festa Literária Internacional de Paraty.

 

Além de contribuir para a viabilização dos 5 dias de evento, o patrono fomenta as ações educativas de permanência promovidas pela Flip no território.

 

Os benefícios incluem ingressos para a Programação Principal da Flip,convites para o coquetel de boas-vindas com a participação dos autores, e encontros com a curadora e com o diretor-executivo da Casa Azul, entre outras atividades.

 

Maisinformações pelo e-mail patronos@casaazul.org.br.


Quem faz a Flip

A Casa Azul é uma organização da sociedade civil de interesse público e sem fins lucrativos que desenvolve projetos nas áreas de arquitetura, urbanismo,educação e cultura. Há mais de vinte anos, desenvolve ações capazes de potencializar importantes transformações no território, a exemplo da Flip. Em Paraty, onde a associação se originou, esse processo levou à realização de ações de permanência, como a Biblioteca Casa Azul e o Museu do Território de Paraty, que seguem em funcionamento durante todo o ano.


Patrocínio

A programação da Flip é realizada por meio da lei de incentivo à cultura do Ministério da Cultura do Governo Federal e conta com patrocínio do Itaú e de outras empresas e organizações em vias de captação.

 

 

share
Logo da Casa Azul