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A militância de Pilar del Río: direitos humanos e emancipação feminina

Jornalista nos tempos da ditadura franquista na Espanha, Pilar del Río dividiu o palco do Auditório da Matriz com o mediador Alexandre Vidal Porto na tarde de sexta-feira. Na mesa intitulada “Contracorrente”, a presidente da Fundação José Saramago — e companheira do escritor até a morte dele, em 2010 — falou de direitos humanos, feminismo, da vida ao lado do marido, de militância política e sua infância.


Já de início afirmou que, desde pequena, sentiu presente o sexismo. “A mulher estava submetida ao homem, minha mãe não podia viajar sem autorização do meu pai”, algo só alterado na Constituição espanhola de 1978. Mencionou que hoje as mulheres “não são dependentes do patriarcado”. E completou: “É muito mais fácil quando se tem hegemonia sobre a própria vida: sejamos independentes.” Ao mesmo tempo, refletiu que há muitas mulheres agredidas, dependentes dos maridos e, que, portanto, a violência doméstica deve ser combatida, que não podemos nos silenciar.


Ao comentar sobre ciência, política e cultura, pontuou a importância de sermos guiados por pessoas com ética e consciência. “A razão pode estar governada pela ética. Que a usemos humanamente.” Leu um tratado sobre direitos humanos que conduz sua militância e suas ações na Fundação José Saramago. E acrescentou: “Ser cidadão ativo dá muito trabalho. Temos todos que levantar cedíssimo, trabalhar, pagar impostos e, ainda por cima, controlar o poder político”. 


Apesar disso, Pilar não vê outra saída para mudanças concretas. Para ela, não devemos ser apenas consumidores na sociedade em que vivemos, mas sim cidadãos, para não nos tornarmos seres descartáveis. “A maior parte das pessoas não vai ler um livro nunca, mas irá olhar um jornal. E não estamos preparados para assumir, como cidadãos, a quantidade de informação que nos chega todos os dias e por isso somos facilmente manipuláveis.”


Em certo momento da conversa, explicou o broche de faisão que portava consigo, sobre o vestido preto, e contou ser um presente de Zélia Gattai, que o havia ganhado de Jorge Amado. Após a morte do escritor baiano, em 2001, Gattai repassou afetuosamente o regalo à amiga: “Só o uso em momentos especiais”, comentou. Fã de simbologias, mostrou os pingentes que levava no colar: “A aliança de Saramago e um mundo, com pedras que representam todos nós, representam que podemos conviver, estar juntos”.


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