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Sessão de encerramento: Ana Cristina está aqui

No ponto culminante da sessão de encerramento da 14ª Flip, a escritora Vilma Arêas, de olhos marejados e voz trêmula, leu um verso do poeta Cacaso: “Ana Cristina, cadê você? Estou aqui, você não vê?”. Ao fim da mesa, a pergunta foi repetida pelo curador Paulo Werneck, e respondida, em coro, pela plateia. Os dois momentos foram testemunho explícito do tom de afetividade que norteou a mesa dedicada à homenageada da festa.


Vilma dividiu o palco com o poeta Sérgio Alcides, que manifestou seu contentamento por poder divulgar a faceta de crítica literária de Ana Cristina Cesar. “Ela escrevia artigos de crítica literária absolutamente sensacionais. Muito precisa, muito ferina. Seus leitores encontram em seus artigos a mesma inteligência translúcida e penetrante dos livros”, destacou.


Alcides também relembrou a maestria com que a escritora misturava prosa e verso: “Ana Cristina Cesar não tem nenhuma preocupação em seguir uma pauta determinada separando a prosa e a poesia. Ela está preocupada com a contaminação entre os gêneros”. Em seguida, ressaltou a necessidade da ausência de notas de rodapé nos livros da poeta: “O texto vai ficando mais ou menos literário conforme o repertório do leitor. Às vezes não saber [do contexto] instiga esteticamente”.


Arêas, que foi professora de Ana C. durante três anos, falou sobre a jovem brilhante que encontrou nela. “Certa vez, ela me entregou uma prova e começou a recitar, de pé, palavras de Fernando Pessoa: ‘Mestre, meu coração não aprendeu nada’. É apenas mais uma cena que mostra o aspecto teatral dela”, disse, atribuindo a personalidade dramática da carioca à timidez.


A sensibilidade latente da poeta também foi mencionada no momento em que Alcides recitou o verso “amor, isto não é um livro, sou eu”, escrito por Ana C.,e que, segundo ele, representa um desejo de ser abraçada, compreendida. “Agora que me toco. Tenho Ana Cristina nas mãos aqui. Que beleza de imagem”, comentou,com a obra completa dela, Poética, nas mãos.

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