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quarto dia

Poeta da montanha e do sensorial

A escolha pela vida no campo ressoa a poesia de Leonardo Fróes. Criado no Rio, o tradutor e poeta viveu em Nova York, Paris e Berlim, trabalhou como jornalista e foi proprietário de uma livraria. A mudança para Secretário, na serra fluminense, acabaria por transformar sua rotina e, por extensão, sua produção poética.

 

“Para me proteger, eu me recolhi no campo e descobri que a vida é muito maior do que o drama humano”, contou, alternando histórias e leitura de poemas que emocionaram a plateia – fosse por sua entrega, sutileza ou simplicidade. “Acho que esse recolhimento que eu me dei foi um presente para ficar vivo e contente.”

 

Em mais de quarenta anos, Fróes e sua mulher Regina se empenham para reflorestar um sítio de quase 50 mil metros. Ao longo do tempo, ele contou ter desenvolvido habilidades de pintor, pedreiro e lavrador. “Não acho que trabalho manual seja ruim, pelo contrário. Como meu trabalho como escritor é todo mental, dá um equilíbrio”, disse.

 

“Três meses depois [de iniciar o plantio] eu entrei no meu milharal. É uma coisa mágica. É mais bonito do que um poema, é mais bonito do que palavras”. As montanhas, um pé de caqui, um pequeno dilúvio ou uma figueira estão entre os elementos de uma produção poética, que se alterna entre o descritivo, o filosófico e o sensorial.

 

“Não vou falar de felicidade, porque felicidade é uma palavra comprometida, uma palavra muito pervertida pela publicidade. [...] Troquei essa palavra por contentamento. O importante é que cada um de nós se sinta contente.” Ao final da mesa, o público o aplaudiu longamente de pé.  

 

 

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