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quarto dia

Poesia como ato

Um poema é um texto, mas é também a forma de enunciá-lo. Na mesa “O palco é página”, ocorreram comoventes declamações da britânica Kate Tempest e do carioca RamonNunes Mello. 

 

Poeta, rapper e escritora, Tempest recitou dois longos poemas com sua habitual habilidade performática e num ritmo único na voz e na gestualidade, sendo ovacionada pelo público.

 

"Comecei essa jornada por via da música, meu primeiro amor [...]. A música dava a mim, como dá a muita gente, um senso de comunidade, um novo sentido para a experiência do mundo", lembrou. As leituras da britânica deixaram clara a mistura de influências da poesia clássica,da mitologia, do hip-hop e da cultura das ruas em sua produção e performance.

 

Nunes Mello dedicou sua participação na Flip a “dois grupos que estão sendo exterminados no Brasil", os homossexuais e os índios. Falou ainda da alegria de estar em uma Flip de mulheres. "Espero que venham mais mulheres, brancas, negras, todas que tiver. Não por uma questão de gênero, mas de oportunidade. Porque há histórias que mulheres podem contar e que a gente não conhece."

 

Soropositivo, ele contou como a descoberta influenciou sua obra: “Eu não conseguia escrever sem ser atravessado por essas questões”. Comentou ainda dos tabus que insistem em torno do tema: “A gente ainda enxerga o HIV com uma ótica dos anos 1980”. 

 

Ao ser questionada sobre o Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia – Tempest foi, mais uma vez, incisiva: “É devastador para mim que, nesses tempos em que temos tantos avanços na comunicação direta, as pessoas tenham optado por se isolar numa ilha.”

 

A noite terminou com nova rodada emocionante de declamações. Os poetas foram aplaudidos de pé, por alguns minutos, ao fim da mesa.

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