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terceiro dia

Sexografias: outros corpos possíveis

A última mesa de sexta-feira (1/7) na Flip teve a literatura erótica como eixo e reuniu a jornalista peruana Gabriela Wiener e a escritora brasileira Juliana Frank. “Uma se baseia em casos reais, a outra, em fatos surreais”, disse o mediador Daniel Benevides. Enquanto Gabriela desvenda em suas reportagens o submundo do sexo, Juliana dá voz a personagens intricadas em tramas sexuais.

 

Sempre em estado performático, com poses e alterações de voz, Juliana disse ter dificuldade em se comunicar. “Tive um problema com a fala quando eu era criança, então me organizei na linguagem escrita. Tenho uma dificuldade lacaniana de me comunicar.” Ela também revelou ter curiosidade por assuntos relacionados a sexo desde criança, quando lia escondida obras como as de Baudelaire. “Sou depravada desde sempre.”

 

Gabriela, por sua vez, afirmou ter crescido em uma família em que o tema erotismo era muito pobremente discutido. Em seguida, falou sobre suas próprias experiências, que se tornam relatos. "Teoricamente, o poliamor é maravilhoso, até o momento em que a vida real bate à sua porta. Imagina como é difícil se relacionar com mais de duas pessoas”, disse. “O meu livro fala de outros corpos possíveis, de outras realidades possíveis.”

 

Juliana falou também sobre seu processo criativo. “Tenho imaginação, memória, criatividade, intelectualidade, razão, sexualidade... Junto tudo e faço pesquisa”, contou ela, que tem tentado escrever na rua, lugar com o qual tem intimidade. “Gosto da experiência proustiana. Preciso ser proustituta agora.”

 

Ao fim da mesa, Gabriela elogiou a representatividade feminina desta edição da Flip, que contou com 18 mulheres na programação principal. “Me encanta estar entre mulheres. Especialmente num mundo de calças que é o mundo literário. Que isso mude para sempre e não volte a ser como antes”, arrematou, sob aplausos da plateia.

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