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terceiro dia

O riso como mecanismo de defesa e salvação

Três mestres do humor em língua portuguesa encontraram-se nesta sexta-feira (1) na Flip: a paulistana Tati Bernardi, o português Ricardo Araújo Pereira e, na mediação, o carioca Gregorio Duvivier. “Descobri que era engraçada quando descobri que era feia, na escola, e me deixavam pertencer aos grupinhos mais descolados porque eu era o entretenimento”, contou Tati. “Eu não era o filho preferido dos meus pais e eu sempre soube disso. Acontece. Mas a questão é que eu sou filho único”, brincou Pereira, antes de se emocionar ao lembrar como se esforçava para tentar fazer a avó,sempre séria, rir.


Ricardo então declarou seu amor à língua materna: “Eu não conseguiria viver ou pensar direito se eu falasse uma dessas línguas barbaras como o inglês e o francês, em que não distinguem o ser do estar. Como é possível viver sem distinguir ser e estar? São povos inteiros que não entendem a diferença entre ser bêbado e estar bêbado”, disse, em tom jocoso. Em seguida, deu uma definição pessoal do humor: “É uma espécie de loucura governada pela razão. Uma loucura voluntária. Uma loucura que nos ajuda a manter a sanidade”.


Questionada por Duvivier sobre a representatividade feminina no humor, Tati defendeu ter ouvido muito ao longo da vida que mulheres engraçadas não são sensuais. “Mas eu tenho mais tesão em ser engraçada do que sexy”, disse. “O humor desnuda muito a mulher. Se tem aquele jogo de querer se misteriosa, desvendada, no humor você está pelada, flácida, cortada em praça publica. Ainda tem muito homem que acha a mulher engraçada não sexy. Eu quero que eles se fodam”, completou, arrancando aplausos da plateia.


Logo depois, Duvivier falou de como Pereira ajudou, com seu humor, a ganhar a opinião publica a favor da legalização do aborto em Portugal. O humorista, no entanto, discordou. “Todos nos lembramos da piada que acabou com a escravatura, né? Aquela que acabou com a Guerra Mundial? Pois é... Eu não quero ser um pregador, não quero evangelizar as pessoas. Quero fazê-las rir. Acho que os humoristas são o orégano da terra. A corrupção continua, a gente não pode fazer nada. A gente só dá um temperinho.”

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