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O olhar sobre a lírica de três poetas brasileiras

A obra da homenageada Ana Cristina Cesar ecoou com especial força na produção lírica nacional dos anos 1990. Contando com três poetas contemporâneas – a paulistana Annita Costa Malufe e as cariocas Laura Liuzzi e Marília Garcia –, a mesa “A teus pés” inseriu esse espaço literário na discussão. Ao abrir a quinta-feira na Tenda dos Autores, o trio abordou o feminino na escrita e os estereótipos muitas vezes associados a ele. Lado a lado, as escritoras leram seus poemas e delinearam a importância da autora homenageada para a atual geração de autores.

 

“Ana C. catalisa coisas que estão na poesia europeia ou norte-americana e que só ela fez no Brasil”, sugeriu Annita, mencionando questões como a interrupção, o corte ou o descentramento do sujeito. “É uma obra que causa um grande estranhamento: a gente fica na vertigem, meio dessituado.”

 

Laura abriu sua fala com um poema: “Não é meu, não é das meninas, não é de Ana Cristina”. Após a leitura, revelou que se tratava de “Por quê”, de Michel Temer. “A legitimidade dele como poeta é diretamente proporcional à legitimidade dele como presidente”, afirmou, sob aplausos da plateia. Assistente do documentarista Eduardo Coutinho por muitos anos, ela mencionou também a importância da escuta e sua tentativa de incorporá-la como procedimento poético.

 

Falando sobre Ana C., Marília lembrou as várias vertentes de sua produção: “Para mim, foi muito importante não só a leitura de A teus pés mas também as publicações póstumas – os desenhos, os ensaios, os cadernos, os rascunhos. Ali você consegue ver o instrumental dela, o ateliê, as ferramentas”. Comentando sua própria poética, relatou a experiência de construir um poema em francês –língua que não domina – e mandar traduzi-lo para o português, procurando “achar uma voz em outra língua" e "fazer da tradução um original”. 

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