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Karl Ove Knausgård relata as batalhas da vida transcrita

Um dos nomes mais aguardados da programação, o norueguês Karl Ove Knausgård paralisou a plateia da Flip na tarde de sexta-feira (1/7). Com a Tenda dos Autores lotada, sob mediação de Ángel Gurría-Quintana, o autor dissertou de modo direto, assertivo e emocionante sobre o processo de escrita da sua série de memória “Minha Luta”, publicada entre 2009 e 2011.

 

"Escrever é se colocar numa situação de total liberdade. Era isso que eu tentava quando escrevi essa obra", enfatizou, lembrando que começou a produzir inundado por sentimentos de raiva e frustração. “Eu não tinha nada a perder. Pensei: ‘posso escrever sobre tudo, não me importo.’”

 

Para além da raiva, a vergonha tornou-se uma espécie de tema central da sua obra confessional. “Se você se interessa pela identidade, você se interessa pela vergonha”, defendeu Knausgård, descrevendo ainda a culpa que carrega porque escritos seus atingiram outras pessoas. “Eu não pensei nas consequências do livro. Eu vendi minha alma, eu vendi minha família, eu vendi tudo o que eu tinha […] Quando você escreve sobre alguém, toma algo que pertence a ela.”

 

Ao contar que cresceu em um meio restritivo na Noruega (“os jovens cools iam à Igreja”) e da relação dificílima com o pai até sua morte, o escritor delineou algum dos motivos que o levaram a ver na escrita uma forma de libertação, busca e descoberta. Saiu aplaudido de pé e prometendo incluir a ida ao Rio e a Paraty em seu próximo volume.

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