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Quarto dia reúne direito caiçara, performance, poesia e jornalismo de guerra

O sábado na Flip começou com poesia. Em“Encontro com Leonardo Fróes”, o poeta e tradutor carioca mostrou como a vida no campo ressoa em sua produção lírica. Criado no Rio, Fróes já viveu em Nova York, Paris e Berlim, trabalhou como jornalista e foi proprietário de uma livraria. A mudança para Secretário, na serra fluminense, acabaria por transformar sua rotina e, por extensão, sua obra poética.


Uma das mesas mais concorridas da edição, “De Clarice a Ana C.” colocou Benjamin Moser e Heloisa Buarque de Hollanda em diálogo, abordando semelhanças e dissonâncias entre a autora homenageada Ana Cristina Cesar e Clarice Lispector. Segundo Heloisa, uma importante simetria entre as duas está no fato de que "ambas tinham uma fé inabalável na linguagem como significação, uma aposta na linguagem".

O escritor holandês Arthur Japin e o artista multimídia Guto Lacaz abriram a tarde de sábado com uma conversa sobre Alberto Santos-Dumont, cuja obra e vida ambos esmiuçaram – Arthur, em livro; Guto, em exposição. “Para mim, é sempre o coração de uma pessoa que faz com que ela seja interessante. Em Santos-Dumont, vi um menino trágico, tímido, solitário, que não parecia se encaixar na sociedade”, disse Japin.


Na sequência, a Flip deu boas-vindas à escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015. Perguntada sobre como estabelece uma relação de confiança com as pessoas que entrevista, disse valorizar a entonação da amizade. “Não faço entrevista. É uma conversa sobre a vida. Você tem que achar o humano dentro do ser humano.”


A mesa “O falcão e a fênix” juntou a escritora mineira Maria Esther Maciel à britânica Helen Macdonald para tratar da animalidade humana e de como a relação com animais pode ajudar em períodos de luto. Após a morte do pai, Macdonald adotou a falcoaria – arte de treinar falcões – a fim de lidar com a perda. “Eu sabia que não conseguiria domar o luto, mas conseguiria domar um falcão. Então por que não fazer isso?”, contou. Maria Esther Maciel explorou, por exemplo, a existência de diversas linguagens animais.


Um poema é um texto, mas é também a forma de enunciá-lo. Na mesa “O palco é a página”, ocorreram comoventes declamações da britânica Kate Tempest e do carioca Ramon Nunes Mello. Poeta, rapper e escritora, Tempest recitou dois longos poemas com sua habitual habilidade performática e num ritmo único na voz e na gestualidade, sendo ovacionada pelo público. Nunes Mello dedicou sua participação na Flip a “dois grupos que estão sendo exterminados no Brasil", os homossexuais e os índios. Ao fim da noite, a dupla foi longamente aplaudida.


Flipinha
A Flipinha trouxe conversas sobre o espírito da literatura infantil à programação do sábado.Os escritores Alexandre de Castro Gomes e Ernani Ssó disseram discordar que livro para criança deve ter uma moral, na mesa “Histórias de arrepiar!”, da Ciranda dos Autores. Já o escritor Maurício Meirelles e o ilustrador Odilon Moraes conversaram sobre viver a realidade através da leitura na Tenda da Biblioteca. 

A Flipinha contou ainda com as autoras Ana Luísa Lacombe, Eliane Potiguara e Adriana Carranca.


FlipMais
A FlipMais começou ontem (2/7) com a mesa “Profissão Repórter – 10 anos”, apresentando algumas reportagens do programa, que também estão em livro comemorativo. Depois, houve a exibição do documentário “Foucault x Foucault”, de FrançoisCaillat, seguida de sessão de debate com Annita Costa Malufe. A conversa “Na base do farol não há luz” recebeu Danilo Santos de Miranda e Mauro Maldonato. A mesa Zé Kleber, por sua vez, discutiu os direitos caiçaras. Finalizando o dia,o Noites de cinema exibiu “O último Pistolino”, do diretor Luís Gustavo Ferraz.


FlipZona
A atividade da Central FlipZona de ontem foi edição do material colhido durante a cobertura da Flip. Hoje, às 18h, ocorre o CineZona, sessão de cinema que irá expor os curtas produzidos durante esse período, na Casa da Música.

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