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Educação e subjetividade na era das mídias sociais

Como a subjetividade contemporânea se constrói a partir da constante exibição e da expectativa pelo olhar do outro? Discutindo os desafios para a educação e para vida em sociedade na era das mídias sociais, o psicanalista Christian Dunker e a antropóloga Paula Sibilia se encontraram na mesa “O Show do Eu”, em um dos debates mais aplaudidos da Flip até o terceiro dia de festa.


Paula começou falando da “necessidade crescente e atual de se exibir e se vender usando os códigos da mídia e do espetáculo”, atitude considerada de mau gosto, imoral e mesmo vulgar até meados do século 20. "Hoje exibimos nosso hábito, nosso pensamento, nosso gosto com uma curadoria. Nossa existência está baseada na visibilidade; nos afirmamos através do exterior."


Partindo do mito de Narciso, Christian teceu reflexões sobre o que chamou de “vida em forma de condomínio” – proliferação de muros, cancelas e outros mecanismos de isolamento que vê ganhar força no Brasil desde os anos 1970. "Existem os muros físicos mas também os condomínios virtuais. O Facebook vira então um palco de aplausos para um público do mesmo nicho."


A necessidade de repensar os modelos tradicionais de educação e o papel da escola na formação da subjetividade também estiveram no debate, com elogios à ocupação recente de escolas por estudantes secundaristas e preocupações em torno do uso crescente de ansiolíticos e antidepressivos por crianças e jovens. "Existe o sonho da solução técnica”, disse Paula. “A criança não fica quietinha? Tem um remédio que faz com que ela fique quietinha. Para dormir, para não dormir, para eu me concentrar, para eu me acalmar", afirmou.

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