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Diálogo entre ficção e realidade

Os cruzamentos entre realidade e ficção, além das particularidades da prosa latino-americana, nortearam o encontro entre o carioca J.P. Cuenca e a mexicana Valeria Luiselli. Apresentando seus respectivos lançamentos Descobri que estava morto e A história dos meus dentes, os dois autores participaram de uma conversa divertida sobre os limites, com frequência tênues, entre vida e obra.


“Não me interessa esclarecer ou traçar uma fronteira entre o que é ficção e o que não é, porque eu mesmo muitas vezes não sei”, comentou Cuenca. Seu novo livro parte de um acontecimento real – um morto foi identificado pela polícia carioca com sua certidão de nascimento –, com o próprio Cuenca como personagem central. “Tenho todos esses documentos comprovando meu óbito.”


O livro de Luiselli foi escrito a partir de uma encomenda do museu e coleção de arte Jumex, associado à maior fábrica de sucos do México. “Me pediram que escrevesse um texto sobre como se monta uma exposição. Perguntei se poderia escrever para a fábrica e não para a galeria.” O livro surgiu então do contato com dois trabalhadores da fábrica que montaram um grupo de leitura, acompanharam o processo e deram palpites sobre o romance. 


No curso da conversa, os dois abordaram especialmente os processos de especulação imobiliária e o modo como a paisagem urbana – a Lapa carioca para Cuenca e a zona industrial de Ecatepec, México,para Luiselli – aparece recriada por suas narrativas.  “Os livros que eu escrevo sempre funcionam como mapas, unindo pontos de uma constelação não antes vista”, disse ela.

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