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quarto dia

Ana C. e Clarice: autoras preocupadas com linguagem e êxtase

Uma das mesas mais concorridas da 14ª Flip, “De Clarice a Ana C.” colocou Benjamin Moser e Heloisa Buarque de Hollanda em diálogo, abordando semelhanças e dissonâncias entre a autora homenageada Ana Cristina Cesar e Clarice Lispector.

 

Orientadora de mestrado, editora, amiga e grande divulgadora da obra de Ana C., Heloisa relembrou o momento em que conheceu a poeta, contou casos e exibiu uma projeção de fotos e cartas da poeta. Biógrafo e estudioso da produção literária de Clarice,Benjamin compartilhou detalhes sobre a escritora e sua obra.

 

“Era época de ditadura militar e havia uma geração que testemunhava isso de um modo muito único, distribuía seus trabalhos em processos artesanais”, contou Heloisa, fazendo referência às impressões independentes da época. “Marquei encontro com ela num ato político. Era linda e performática.”

 

Ao longo do debate, Benjamin e Heloisa abordaram, entre outros temas, a dificuldade inicial de alguns leitores se aproximarem das duas autoras. “A obra de Clarice não é uma coisa que pode entrar pela cabeça. Tem de ir pelo coração e até pelas entranhas”, defendeu o autor. “Estou escrevendo agora sobre a Susan Sontag, que é toda cabeça, uma cabeça enorme, e ali você entra pelo intelecto e depois vai saber o que sente com aquilo, mas Clarice não pode ser assim.”

 

Segundo Heloisa, uma semelhança importante está no fato de que "ambas tinham uma fé inabalável na linguagem como significação, uma aposta na linguagem". Tinham ainda um paixão comum por Katherine Mansfield e uma preocupação com o êxtase que aparece na obra de uma e outra. "'Estou cansada de ser homem’, a Ana escreveu. Ser homem para ela era escrever narrativa com começo meio e fim”, completou. Grandes questões como o feminismo, os desafios da tradução e o contexto religioso e moral de uma e de outra ajudaram a compor um encontro ímpar.

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