homenageado

Graciliano Ramos

De professor a prefeito, de revisor a cronista, do partido à prisão: Graciliano Ramos, escritor homenageado da Flip deste ano, baseou-se principalmente em experiências pessoais para escrever seus romances. Para ele, a vivência individual esteve sempre ligada ao conjunto de circunstâncias espaço-temporais. Extremamente pessoal, sua literatura tem caráter universal.

Apesar disso, afirmou em uma carta a Raúl Navarro, seu tradutor argentino: "Os dados biográficos é que não posso arranjar, porque não tenho biografia. Nunca fui literato, até pouco tempo vivia na roça e negociava [...] que hei de fazer? Eu devia enfeitar-me com algumas mentiras, mas talvez seja melhor deixá-las para romances".

Logo na infância Graciliano manifestou talento para escrita. Em 1904, ao lado de um professor e de um primo criou o jornalzinho O Dilúculo (alvorada) no qual publicou seu primeiro texto de ficção "O pequeno pedinte". Um ano depois, com medo de que o filho seguisse a carreira literária seus pais, Sebastião e Maria Amélia Ramos o mandaram para um internato, mas nem assim conseguiram inibir sua paixão. Mesmo de lá o menino conseguiu publicar alguns sonetos na revista O Malho, do Rio de Janeiro.

Mesmo tendo que ocupar os mais diferentes cargos para manter as contas em dia, Graciliano não deixou de usar sua vocação a serviço de "todos os infelizes que povoam a Terra., como afirmou em seu discurso de 50 anos. A favor da literatura ao alcance de todos e contra ao fato dela se tornar muitas vezes um símbolo de distinção entre as classes sociais, o autor defendia que escrever poderia ser uma atividade de poucos, mas não para poucos: "A palavra não foi feita para brilhar, mas para dizer", disse certa vez.

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