homenageado

Machado de Assis

“Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.” A frase, típica boutade machadiana, é do conto “O empréstimo”, de Machado de Assis, e vem a calhar no centenário da morte do escritor. O sentido da ironia é claro: morto o autor, os defeitos e imperfeições devem ser postos de lado, começa a idealização de sua imagem. Eis o tipo de tributo que combina pouco com a Flip 2008: o festejo que não tem seu principal fundamento na análise crítica, mas na mera cristalização de um símbolo.

Na conferência sobre Dom Casmurro, que tem como base texto inédito sobre o livro, Roberto Schwarz deixa claro do que é feita essa dimensão analítica e até onde vai a complexidade da prosa machadiana. Igualmente central na proposta da Flip – formatada em parceria com o professor da USP Hélio de Seixas Guimarães, autor de Os leitores de Machado de Assis – é cobrir a produção de Machado no recorte mais amplo possível.

Na mesa “Papéis avulsos”, os convidados, todos machadianos de calibre, apontam algumas direções: a correspondência, a relação com a literatura contemporânea, as adaptações para o cinema. No show de abertura, nas atividades previstas para a Casa da Cultura e nas exposições, a homenagem continua e amplia o leque para o teatro, a música, a presença no ambiente escolar, o Rio de Janeiro do fim do século XIX. O comedimento era marca característica da obra. Cem anos após a morte do autor, ajustar a medida do elogio talvez seja a melhor forma de homenageá-lo.

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