homenageado

Guimarães Rosa

O autor homenageado da Flip 2004 enveredou pelos grotões brasileiros para fazer uma literatura sem fronteiras. Seus retratos do sertão, embora feitos com conhecimento de causa, nunca se prenderam a qualquer regionalismo, a não ser aquele que acredita que a criação literária é uma região em que as regras só são dadas pela palavra e a imaginação.

Mestre na condução de ambas, inigualável inventor de palavras, Guimarães Rosa construiu uma obra absolutamente própria, traduzida para diversas línguas apesar das gigantescas dificuldades de transposição. Seu único romance, Grande Sertão: Veredas, de 1956, é habitualmente considerado como o maior de toda a literatura brasileira. Nele fica claro como um fim de mundo pode dar conta de todo o mundo.

Aberta pelo professor e ensaísta Davi Arrigucci Jr. e com direção artística de José Miguel Wisnik, uma programação especial estará lembrando e discutindo em Paraty este clássico e toda a obra de Rosa. João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, um pequeno arraial de Minas Gerais. Foi para Belo Horizonte estudar medicina, formando-se em 1930. Ingressou em 1934 na diplomacia, carreira em que chegaria a primeiro-secretário da Embaixada brasileira em Paris e, por duas vezes, chefe de gabinete no Ministério das Relações Exteriores.

Seu primeiro livro, a coletânea de poemas Magma, recebeu o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras em 1936, o que não impediu o autor de rejeitá-lo posteriormente. Sua trajetória de brilhante prosador começou com os contos de Sagarana, em 1946. No mesmo ano de Grande Sertão: Veredas, lançou Corpo de baile, reunião de três novelas que mais tarde passariam a ser publicadas separadamente: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão. Depois vieram as Primeiras Estórias (1962) e, pouco antes de morrer de infarto (em 19 de novembro de 1967, três dias após tomar posse na Academia Brasileira de Letras), Tutaméia (Terceiras Estórias).

Duas obras foram publicadas postumamente: Estas estórias (1969) e Ave, palavra (1970). Nas últimas décadas, estudos, traduções, filmes, peças, minisséries de TV e as mais variadas releituras comprovaram a força infinita da obra de Guimarães Rosa.

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